terça-feira, setembro 04, 2007


A Nova Sintra
Apesar de ter passado férias em pequeno em Sintra, sempre concebi o nosso Eden como uma terra de Inverno. Hoje, deambulando pelas ruas estreitas, molhado na camisa pelo suor escaldante, sufocado por uma gravata profissional, serpenteando pelas doçarias disponíveis, pelos artesanantos, pelos arvoredos, mais uma vez Janeiro estava na minha cabeça e nos meus olhos e não este retardado e pujante Verão. Aqueles dias intensos em que abandonámos o mundo e andámos pelo paraíso dos nossos sorrisos, dos nossos olhos, dos nossos corpos sequiosos. Os nossos caminhos fi-los todos, inundados de turistas de todas as cores, de todas as línguas, de todas as idades, despejados de buses especializados no turismo de massas. Eles teriam lá certamente os pensamentos deles. Eu é que olhava e não os via. Os nossos esconderijos a céu aberto, ou envoltos em luxuriante vegetação, os nossos lugares de paixão, de amor, de entrega, de paz, estavam lá todos. Como se eternamente nos esperassem.